Quanto cobrar quando você atende em domicílio
O erro mais comum é cobrar o preço do estúdio e absorver o deslocamento. Aqui está a conta que separa as duas coisas.
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Atender na casa da cliente parece o mesmo trabalho feito em outro lugar. Não é. Você leva o material, monta, desmonta, e paga o deslocamento com tempo e com dinheiro. Se o preço for o mesmo do estúdio, a diferença sai do seu bolso, e sai todo dia.
A conta abaixo usa os seus números, não os de uma tabela.
1. Descubra quanto custa uma hora sua
Some tudo o que você paga por mês para conseguir trabalhar, mesmo nos meses em que atende pouco:
- aluguel ou a parte da sua casa que vira trabalho
- internet, telefone e os aplicativos que você assina
- transporte fixo, se houver
- reposição de equipamento, dividida pelos meses que ele dura
- contador, MEI, qualquer imposto
- o que você quer tirar para viver, que é salário e não sobra
Divida esse total pelas horas que você de fato consegue atender num mês. Não pelas horas do mês: pelas horas que sobram depois de descontar o tempo de deslocamento, de resposta de mensagem, de compra de material e de descanso. Faça essa conta com o seu mês de verdade, olhando a agenda: a diferença entre as horas do mês e as horas atendidas costuma surpreender.
O número que sai daí é o seu custo por hora. Cobrar abaixo dele não é preço competitivo, é prejuízo com aparência de movimento.
2. Some o material do atendimento
Material é o único item que muda de um serviço para outro, e o único que a maioria calcula certo. Some o que você gasta naquele atendimento específico, incluindo o que sobra pela metade e vence antes de acabar.
3. Cobre o deslocamento separado
Aqui é onde o domicílio se diferencia, e onde quase todo mundo perde dinheiro. O deslocamento tem três custos, e só um deles é visível:
- o transporte, que é o que se enxerga
- o tempo de ida e volta, que é hora sua e vale o seu custo por hora
- o tempo de montar e desmontar na casa da cliente, que não existe no estúdio
Somados, os dois últimos costumam ser maiores que o primeiro. Uma ida de quarenta minutos, um retorno de quarenta e quinze minutos de montagem são quase duas horas do seu dia que não aparecem em lugar nenhum se você só cobrar a passagem.
Cobrar o deslocamento como taxa separada, e não diluído no preço do serviço, tem duas vantagens. A cliente entende o que está pagando, e você consegue ter um preço só para o serviço, que é o que permite comparar o seu domicílio com o seu estúdio sem se enganar.
4. Decida o raio antes de decidir o preço
Um raio grande parece mais oportunidade e quase sempre é menos. Quanto mais longe, mais horas por atendimento, e menos atendimentos cabem no dia. Definir até onde você vai é uma decisão de preço, mesmo que não pareça.
Um jeito prático de decidir: calcule quantos atendimentos cabem num dia com raio de cinco quilômetros e com raio de quinze. Se a segunda conta der um atendimento a menos, o raio maior precisa render pelo menos o valor daquele atendimento perdido.
O que fazer com o número que saiu
Custo por hora vezes a duração, mais material, mais deslocamento. Esse é o seu piso, não o seu preço. O preço é o piso mais a sua margem, e a margem é a única parte da conta que é escolha sua.
Se o piso ficou acima do que se cobra na sua região, o problema não é a conta. Ou o custo está alto, ou as horas atendidas estão baixas, ou o serviço está sendo vendido pelo preço errado há tempo demais. Os três se resolvem, e nenhum se resolve baixando mais.